terça-feira, 17 de maio de 2016

Já está na hora de reconhecermos os efeitos das transições demográfica, epidemiológica e climática

                Há algum tempo, no Brasil, o social se restringia a questões relacionadas à miséria, fome e doenças transmissíveis. Os avanços alcançados nessas áreas foram impressionantes. Temos sempre que reconhecer o valor das novas políticas públicas e sociais que deram à população brasileira oportunidades de participar das riquezas econômicas do país e buscar seus direitos de cidadão. Estamos muito longe da utopia de uma sociedade igualitária, mas bem perto de números que comprovam que os avanços foram significativos: 1) o Brasil saiu do mapa da fome da ONU; 2) conquistas significativas foram alcançadas para reduzir a mortalidade infantil; 3) milhões de brasileiros saíram da miséria.

               Tudo isto é bem oportuno se levarmos em consideração os desafios que os profissionais da área pública (não necessariamente governamental) terão que enfrentar nas próximas décadas. São desafios de dimensões catastróficas se a atuação dos agentes públicos (não necessariamente governamental) não for rápida, estratégica e sustentável. As transições demográfica, epidemiológica e climática estão alterando rapidamente o cotidiano dos indivíduos, famílias, comunidades, cidades e país.

                Não há mais como negar o aumento significativo de idosos em relação ao número de crianças do Brasil. Estamos envelhecendo e muito rapidamente. Parece até o movimento de urbanização dos anos 70 que alterou em definitivo a composição de nossa sociedade. Esta transição fará com que o sistema de previdência tenha que ser revisto, assim como as relações econômicas, pois os mais jovens não conseguirão criar as riquezas necessárias para sustentar a qualidade de vida para todos os idosos.

                Estamos vivendo mais, mas não necessariamente melhor. A incidência de doenças crônicas aumenta na mesma medida em que as doenças transmissíveis diminuem. Logicamente, ainda teremos que conviver com doenças transmissíveis como Zika, Dengue, H1N1, tuberculose. No entanto, nada se compara ao aumento das doenças crônicas como diabetes, doenças do sistema circulatório, obesidade, causas externas.

                Há também a transição climática. Em todas as cidades, já se verifica o aumento das temperaturas, a mudança da estação de chuvas e seca, aumento de fenômenos climáticos. O Brasil que parecia ser imune a este tipo de fenômeno, hoje convive com ciclones e tufões. Isto sem falar da poluição que mata milhares de pessoas todos os anos e as queimadas que intensificam as doenças respiratórias, principalmente as crianças.

                Temos que rever nosso conceito de social e público. Os sistemas de saúde, previdência, educação, meio-ambiente e assistência social estão em perigo. A proposta desastrosa de privatização para enfrentar estes desafios sociais e públicos e outra que foca apenas na participação governamental já foram implementadas nos países desenvolvidos. Não podemos seguir este mesmo modelo. O custo de saúde nos Estados Unidos já representa mais de 17% do PIB do país e não é sustentável. Ao mesmo tempo, os sistemas puramente governamentais da Europa e Japão de previdência não conseguem mais assimilar o ritmo frenético de envelhecimento e a baixíssima taxa de fertilidade.


                Qual seria então a alternativa? Nas próximas postagens algumas sugestões.